quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Flor do Asfalto

Flor do asfalto, encantada flor de seda,
sugestão de um crepúsculo de outono,
de uma folha que cai, tonta de sono,
riscando a solidão de uma alameda...

            Trazes nos olhos a melancolia
            das longas perspectivas paralelas,
            das avenidas outonais, daquelas
            ruas cheias de folhas amarelas
            sob um silêncio de tapeçaria...

Em tua voz nervosa tumultua
ess voz de folhagens desbotadas,
quando choram ao longo das calçadas,
simétricas, iguais e abandonadas,
as árvores tristíssimas da rua!

           Flor da cidade, em teu perfume existe
           qualquer coisa que lembra folhas mortas,
           sombras de pôr de sol, árvores tortas,
           pela rua calada em que recortas
           tua silhueta extravagante e triste...

Flor de volúpia, flor de mocidade,
tue vulto, penetrante como um gume,
passa e, passando, como que resume
no olhar, na voz, no gesto e no perfume,
a vida singular desta cidade!

                                                               Guilherme de Almeida 

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