quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Sapo Boi

Como todo feriado prolongado, a casa de minha vizinha, dona Clarinda, fica cheia com a chegada de seus descendentes.
Dos seus cinco filhos, dois moram  fora de Campinas. Cleusa, a filha mais velha, e Maria Elcida, a penúltima. Essa carinhosamente apelidada de Doca, coisa que até hoje não entendo, pois não vejo ligação nenhuma com o nome, mas não tenho nada com isso.
Tanto Cleusa, como Doca e Cláudio, têm três filhos. Cássia, a caçula, tem dois. Carlos não teve filhos. Não posso me esquecer dos agregados: genros e noras. Então já viram como a casa fica cheia.
Dona Clarinda adora esse movimento, ainda mais do jeito que gosta de cozinhar. É frango com polenta, macarronada com molho de linguiça calabresa, aquela que ela compra toda semana na feira. Isso sem falar nas costelinhas de porco, feijão temperado com bacon, que dona Clarinda diz:-Sem bacon o feijão não tem sabor!
Não preciso comentar que dona Clarinda e suas filhas são redondas... Mas dona Clarinda é um pouquinho mais que as filhas.
Quando estão todos no quintal, é impossível que da minha casa, mais precisamente de minha cozinha, eu não ouça nitidamente o que conversam, sem contar que como eu, são descendentes de italianos.
Numa dessas ocasiões, estando eu arrancando mato de um dos meus canteiros no quintal, não pude deixar de ouvir um comentário no lado vizinho. Percebia-se que várias pessoas estavam conversando, e em dado momento, Bebeto, o filho caçula de Cleusa, um adolescente tagarela, diz: - Gente, aquela parte da mulher chamamos de perereca, não é? Mas olha aqui para o varal e vejam o tamanho da calçola da vó... Então, só podemos deduzir que aquela parte dela, é sapo boi!
A risada foi geral, inclusive eu própria não me contive e entrei correndo para que não ouvissem o meu gargalhar.
Por uns bons tempos, toda vez que eu via dona Clarinda, não podia ficar sem imaginar o tamanho daquela parte.
                                      ENEIDA TAGLIOLATTO

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